Edição: 101 - Mês: Julho - Ano: 9

Para Refletir

Escolhas e Decisões

Há uma conhecida história de um lenhador que ia trabalhar e deixava o seu pequenino filho sob os cuidados de uma raposa domesticada. No final do dia, o animal corria encontrá-lo numa demonstração de felicidade incontida. Muitas vezes, aquele homem foi alertado pela vizinhança acerca do perigo daquele animal silvestre atacar o seu bebê. Ele, porém, afirmava depositar total confiança no seu bicho de estimação.

Certa noite, ao retornar do trabalho, assustou-se ao vê-lo correr em sua direção, com a boca cheia de sangue. Lembrou-se, então, dos conselhos dos vizinhos. Não teve dúvida que a raposa tinha acabado de devorar o seu filhinho querido. Num rompante, com o machado que trazia nas mãos, desferiu um golpe certeiro na cabeça do animal. Desesperado, correu ao encontro da criança que dormia tranquilamente. Ao lado do berço, havia uma enorme cobra morta.

Apesar de fictícia, esta narrativa nos ajudar a fazer algumas considerações acerca das decisões humanas e seus reflexos. Não podemos negar que um dos grandes problemas do mundo atual é a dificuldade quanto à administração do tempo. Além das múltiplas atividades diárias, temos que enfrentar longas filas em bancos, lojas, supermercados e até mesmo em repartições públicas. No quesito trânsito, então, o que prevalece é a indisciplina, a violência e o estresse gerado por enormes congestionamentos.

Nesse ritmo frenético, tomamos decisões que afetam não apenas a nossa vida, mas também a dos outros. Algumas são frutos de muita reflexão; outras, por sua vez, são tomadas de forma repentina e até mesmo precipitada. É lamentável, todavia, quando isso acontece, nem sempre o resultado é satisfatório. Ao contrário, na maioria das vezes, restam-nos consequências desagradáveis para serem geridas.

Seria bom se todas as nossas escolhas fossem precedidas por uma reflexão prévia. Mas, não é assim que acontece. Há momentos, em que temos que decidir e agir rapidamente, até mesmo quando o nosso nível de estresse está altíssimo. É exatamente em situações extremas assim que reside o perigo: podemos ser prejudicados tanto pela pressa irrefletida como pela exaltação dos ânimos.

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Por Armando Luiz de Sá Ravagnani

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